domingo, 5 de janeiro de 2014

90% do atum brasileiro embarca em cargueiros japonês

A costa do Brasil é um dos últimos santuários onde a pesca do atum foi pouco explorada. No resto do mundo, o excesso de pesca ameaça a existência do peixe e os preços batem recordes.
O atum-azul (Thunnus thynnus) está ameaçado de extinção. Segundo a oceanógrafa Sylvia Earle, da National Geographic Society, maior referência mundial em oceanografia, 95% da população global já virou sushi. As demais espécies correm o risco de sobrepesca (quando a captura supera a capacidade de reposição).
Outro reflexo disso, é a alta nos preços. Para se ter ideia, no início deste ano um atum de 270 quilos foi vendido por R$ 1,5 milhão no mercado de Tsukiji, em Tóquio.
Nesses tempos de cardumes magros, a piscosa costa brasileira entra na disputa como uma das últimas fronteiras ainda inexploradas. Em 2011, não passou de 10 mil toneladas o total de atuns capturados em nossas águas, ou 0,15% do total (segundo o Ministério da Pesca).
A questão é que cerca de 90% da pesca de atum no Brasil, é dominada por barcos japoneses arrendados por Gabriel Calzavara de Araújo, ex-secretário de Pesca do Ministério da Agricultura.
A lei que facilitou o arrendamento de embarcações estrangeiras no litoral brasileiro foi aprovada durante a gestão de Araújo (1998-2002) no governo FHC.
Quando Araújo era diretor do então Departamento de Pesca no governo Fernando Henrique, ele desenhou o marco regulatório que permite aos japoneses pescarem atum na costa brasileira.
Depois que deixou o governo Araújo abriu uma empresa, a Atlântico Tuna, que se tornou a maior concessionária de licenças para barcos estrangeiros.
Em 2010, das 17 licenças para pesca de atum distribuídas naquele ano as embarcações estrangeiras, 16 foram dadas a barcos japoneses arrendados pela Atlântico Tuna, de Gabriel Calzavara de Araújo.
Os arrendamentos funcionam da seguinte maneira:
-Os japoneses entram com o navio, o equipamento, as iscas, o combustível, a tripulação e o seguro, e pelo fornecimento de todos estes recursos ficam com 85% a 90% das vendas do atum.
-A Atlântico Tuna, de Gabriel, fica responsável pela obtenção das autorizações oficiais que é remunerada com pelo menos 10% das vendas.
Pescadores, indústria de pescados, sindicato de armadores e entidades ambientalistas não se conformam com a concorrência nipônica.
Os modernos navios japoneses medem até 60 m da popa à proa, têm autonomia para operar por 90 dias sem aportar e armazenam em seus porões frigoríficos até 200 toneladas de pescado, a -60 ºC. Já os atuneiros brasileiros têm 15, 20 anos, foram adaptados de outras modalidades de pesca e chegam, no máximo, a 24 m de comprimento. Sem frigoríficos, exigem constante vaivém entre a zona pesqueira e o porto, para se abastecer de gelo e descarregar o produto.
É como se os japoneses pescassem com jamantas, e os brasileiros, com carrinhos de feira. "As embarcações deles devastam nossos cardumes com um volume de pesca superior à capacidade de reposição", acusa Torquato Ribeiro Pontes Neto, da indústria de pescados que leva seu nome, sediada em Rio Grande (RS). "Prejudicam toda a cadeia produtiva ligada à pesca, já que o peixe sai de seus porões para embarcar diretamente em um cargueiro japonês."

Um comentário:

  1. ue e ningem fala,o filho da puta do gabriel teve a carade pau de dizer que os japoneses so iam ficar aqui ate cuando os brasileiros aprendecem a tecnologia de pesca ,eu pesco a40 anos com meu primo nunca ensinei meus segredos de pesca a ele Japonês vai ensinar a jente gabricorno

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